O objetivo de Deus em nossa vida é aquele descrito no versículo 20 do texto-base: que a palavra semeada frutifique em nós e que o fruto seja abundante.
Mas muitas vezes acontece justamente o contrário, a palavra acaba sendo sufocada em nós e morrendo em nosso coração.
Jesus falou de 04 lugares onde um semeador poderia jogar suas sementes.
Ele usou essa alegoria, pois naquela época muitas pessoas viviam da agricultura, viviam plantando e colhendo e em razão disso poderiam entender como mais facilidade o que Ele queria ensinar.
1º) Terra dura: A semente não tem como penetrar na terra dura e em razão disso, as aves que passam, comem a semente e por isso não produzem.
São as pessoas que ouvem, mas a palavra não produz nada, pois seus corações estão endurecidos e satanás pode roubá-las facilmente. São aqueles que não aceitam mudanças, não querem transformação.
2º) Terreno rochoso: No terreno rochoso, a semente não tem como criar raízes e o calor acaba matando a planta.
São os que não criam raízes, que recebem a palavra mas continuam sendo sempre meninos espiritualmente, não procuram amadurecimento para que sejam fortalecidos e acabam morrendo no espírito.
4º) Boa terra: São aqueles que ouvem a palavra, ela penetra em seus corações e eles frutificam de forma abundante.
No entanto, hoje vamos nos deter em falar sobre o 3º lugar onde a semente foi lançada: “entre espinhos”.
O Senhor Jesus ensinou que a planta que nasce, fruto da semente plantada entre espinhos, acaba sufocada e explicou dizendo que essa planta representa aqueles que ouvem a palavra mas os cuidados deste mundo, os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas acabam sufocando a palavra e tornando-a infrutífera:
a) Cuidados do mundo:
São as preocupações dessa vida.
Sabemos que enquanto estivermos no mundo, passaremos por situações difíceis, mas devemos nos lembrar que Jesus nos ensinou que no mundo teríamos aflições, mas deveríamos ter bom ânimo, porque Ele venceu o mundo e nós também venceremos (João 16:33).
Ao analisarmos o exemplo das irmãs Marta e Maria, podemos verificar o que são os cuidados desse mundo (Lucas 10: 38 – 42).
As duas ao receberem Jesus em sua casa, adotaram posturas totalmente diferentes: Marta correu para arrumar a casa, cozinhar, fazer mil tarefas, enquanto Maria sentou-se aos pés de Cristo para ouvi-lo falar.
Vale lembra que Marta não apenas ficou preocupada com os afazeres domésticos, mas também julgou que sua irmã, que havia escolhido estar aos pés de Jesus, estava errada e deveria estar ajudando-a.
Nós muitas vezes estamos como Marta. Corremos de um lado para o outro achando que estamos fazendo a coisa certa. Trabalhamos em nossos empregos, trabalhamos na igreja, cuidamos de casa, cuidamos dos filhos, cuidamos do dinheiro, etc, etc, etc.
Todas essas coisas são legítimas e temos realmente que fazê-las. Mas elas não podem nos sufocar. Não podem ser a principal razão da nossa existência.
Naquela visita, Jesus ensinou a Marta que a boa parte estava em sentar para ouvi-lo.
Ele queria apenas que ela parasse, descansasse e ficasse aos pés dEle. Mas ela achou que deveria fazer muito mais.
Precisamos ouvir a voz de Jesus e analisar as nossas escolhas diárias. Será que temos aberto mão de um momento de oração para fazer algum trabalho extra? Será que temos deixado de ler a palavra, porque temos muitas outras ocupações? Será que temos deixado de ajudar o próximo porque estamos sempre correndo e sequer enxergamos uma mão pedindo ajuda?
Se deixarmos todas as nossas preocupações diante do Senhor, Ele certamente cuidará de nós e assim, poderemos estar livres dos cuidados desse mundo que nos sufocam, podendo ser como Maria que escolheu a boa parte.
b) Engano das riquezas:
Existem pessoas que se não estiverem cheias dos bens dessa terra nunca estarão satisfeitas.
São pessoas que não conseguem enxergar a vida de maneira simples.
Deus nos chamou para uma vida de simplicidade. Não para uma vida de miséria, mas de simplicidade.
Deus não se agrada daqueles que vivem querendo ostentar, mostrar aos outros aquilo que têm ou aquilo que querem aparentar ter.
A Bíblia também nos dá um exemplo desse tipo de conduta: o jovem rico: Lucas 18: 18 – 27
Aquele moço achou que não poderia viver sem sua riqueza e enganado por isso, não pôde seguir a Jesus.
O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Timóteo 6:10a).
Precisamos tomar muito cuidado com as coisas que desejamos, porque às vezes desejamos algo ardentemente e ao receber, aquilo nos afasta de Deus, nos afasta do reino de Deus.
Vemos histórias de empregos que afastaram pessoas da obra do Senhor, de bens que aprisionaram pessoas em suas casas.
Deus não tem para nós uma vida de miséria, mas Ele quer que lembremos que onde está o nosso tesouro, está também o nosso coração (Mateus 6:21).
Que o nosso tesouro esteja no céu, onde a traça e a ferrugem não podem consumir, nem o ladrão pode roubar (Mateus 6:19)
c) Ambições de outras coisas / Ansiedade
Um coração ansioso é o coração que só vê as coisas materiais, que confia em si mesmo, que acha que a solução das coisas está nas suas atitudes.
Mas o Senhor Jesus nos ensina a não andarmos ansiosos, porque Ele é quem cuida de nós (Mateus 6: 25 -34).
O mundo vive preocupado com as coisas do amanhã, mas Jesus nos ensinou que basta a cada dia o seu mal (Mt 6:34).
Existem coisas que por mais que queiramos, por mais que tenhamos boa vontade, não conseguiremos resolver.
A partir do momento que nos entregamos a Jesus, tudo o que temos passa a ser dEle.
Se tivermos consciência disso, deixaremos de nos preocupar excessivamente com as coisas da nossa vida.
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