VINHO NOVO EM ODRES NOVOS
 

Mateus 9:14-17

 

No texto que lemos, vemos Jesus sendo argüido pelos discípulos de João e pelos fariseus acerca do jejum.

No entanto, percebemos que a pergunta feita por eles tinha o objetivo de julgar os ensinamentos de Jesus.

O jejum, como sabemos, é algo que está dentro do propósito divino.

No Antigo Testamento, quando o povo de Israel caía em idolatria e o Senhor levantava alguém para exortar a nação, normalmente havia a convocação de um jejum coletivo e o povo clamava arrependido (I Samuel 7:6).

Deus, então, atendia ao clamor do povo e os restaurava.

Porém, o que nós observamos na vida daqueles que vieram indagar Jesus é uma atitude religiosa.

Eles interpretavam o jejum não como algo restaurador, algo que podia ligá-los ao Senhor, mas como um simples dogma, um ritual.

E esses rituais o Senhor não recebe. Deus não quer de nós algo que seja feito como mero “desencargo” de consciência, como obrigação.

Aqueles religiosos achavam que estavam servindo a Deus, mas estavam simplesmente sendo dirigidos por algo que havia sido deturpado, que havia sido imputado pelos homens.

Aqueles homens viviam uma religiosidade sem vida.

Nós achamos que isso pode acontecer apenas com as pessoas “de outras religiões”, mas isso é um perigo que tem rondado a vida dos “crentes”.

Nós, muitas vezes, perdemos nosso referencial: passamos a fazer atividades religiosas, dar o dízimo, vir à igreja em todos os cultos e fazemos isso achando que estamos no caminho certo.

Nada disso é errado, mas quando isso é a nossa única motivação, estamos praticando religião e não vivendo a vida de fé que Cristo planejou para nós.

Podemos fazer tudo isso e estarmos cheios de preconceitos, cheios de maldade, sentimentos de inimizade, espírito de crítica, incredulidade, inveja, ira e tantas outras coisas que são obras da carne e não frutos do Espírito (Gálatas 5: 18 – 22).

Quando Davi estava cheio de redenção, cheio de restauração, cheio da presença de Deus, conduzindo a arca de volta para Israel, ele dançou na presença do Senhor.

Ele estava cheio do Senhor. Estava vivendo o perdão e a vitória.

Mas a esposa dele, Mical, estava na janela, ao invés de estar ali com o povo celebrando a vitória.

E daquela janela ela viu Davi dançando e saltando e julgou a atitude dele, desprezando-o no seu coração (II Samuel 6: 16).

O coração de Mical estava cheio de religiosidade, pois a preocupação dela era com a postura de rei que Davi deveria ter (II Samuel 6: 20) e não com o agir de Deus na vida dele.

O mero cumprimento de normas não garante o nosso relacionamento com Deus. Ao contrário, a religiosidade nos impede de enxergar o agir de Deus, pois estamos presos em nossos rituais formais, como Mical e aqueles fariseus que argüiram Jesus.

Deus não aceita hipocrisia, mesmo que nos gastemos em jejum e oremos infinitamente. Deus só aceita o que sai do nosso coração.

Mas o que Jesus quis dizer quando falou sobre vinho novo em odres novos?

Odres são recipientes de coro onde se guarda o vinho para conservar o sabor.

Os odres, no exemplo de Jesus, representam os crentes, aqueles que crêem no Senhor.

O vinho é o ensinamento, é a lei que nós temos que fazer prática na nossa vida.

O vinho velho era a velha doutrina, eram aquelas regras que as pessoas obedeciam não por fé, não por esperança viva, mas por obrigação ou por querer viver a religião dos antepassados.

Porém não é através de religião que chegamos a Cristo, que somos restaurados.

Ao falar dos odres velhos, Jesus quis dizer pra aqueles homens que enquanto eles estavam tão preocupados com os dogmas religiosos, eles não conseguiam enxergar que estavam diante do Messias, o Salvador.

Nos nossos dias, vemos crentes que não glorificam a Deus, não sentem desejo de adorá-lo, de louvar, de orar, de meditar na Palavra. Estão vivendo apenas religiosamente, não conseguem enxergar o agir de Cristo. Esses são, como aqueles fariseus, os odres velhos, que não se deixaram restaurar.

Esses nunca receberão vinho novo, porque estão vivendo a religião da sua própria forma.

Para viver a verdadeira vida com Cristo, precisamos fazer o que Ele nos ensinou: nos negar a nós mesmos, tomar a cada dia a nossa cruz e seguí-lo (Mateus 16:24).

No entanto, mesmo para os “odres velhos” existe esperança, porque Cristo tem restauração para dar.

Ele pode tornar odres velhos em novos para derramar o vinho novo. Aleluia!

Nosso Deus é Deus de restauração, Ele se alegra em transformar.

Não basta apenas querermos servir ao Senhor do nosso jeito, isso é religiosidade! Os que agem assim só “mudaram de religião”. Temos que querer a transformação total em nossas vidas, para podermos receber o vinho novo.

O vinho novo é sentir o derramamento do Espírito Santo, é receber o novo nascimento da água e do Espírito. É sentir fluir do seu interior um rio de águas vivas (João 7:38).

Hoje há tanta prostração na igreja porque as pessoas ouvem falar do vinho novo, mas não conseguem recebê-lo, porque não conseguem deixar Deus renovar o odre.

Paulo vivia a religião, era um odre velho e, pra ser transformado, precisou levar um tombo e ficar cego (Atos 9: 4, 8 e 9).

Deus não está à procura dos religiosos, mas sim daqueles que querem recebê-lo.

 
Conclusão
 

Nós não queremos ser religiosos, mas instrumentos do poder de Deus, pra isso temos que deixar Ele nos transformar, para que o vinho novo possa ser derramado sobre nós e passemos a ser verdadeiros adoradores, que não andam em busca de religião, mas que nasceram de novo e hoje vivem para adorar ao Senhor em espírito em verdade, sendo um instrumento dEle na Terra.

 
 
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